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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Incrivelmente triste...

Não dê ouvidos a quem não sabe de suas necessidades e não deixe sua convicção ser abalada.


O LENHADOR E A RAPOSA
Um lenhador acordava todos os dias às 6 horas da manhã e trabalhava o dia inteiro cortando lenha, só parando tarde da noite. Ele tinha um filho lindo de poucos meses e uma raposa, sua amiga, tratada como bichano de estimação e de sua total confiança. Todos os dias, o lenhador — que era viúvo — ia trabalhar e deixava a raposa cuidando do bebê. Ao anoitecer, a raposa ficava feliz com a sua chegada.
Sistematicamente, os vizinhos do lenhador alertavam que a raposa era um animal selvagem, e, portanto, não era confiável. Quando sentisse fome comeria a criança. O lenhador dizia que isso era uma grande bobagem, pois a raposa era sua amiga e jamais faria isso. Os vizinhos insistiam: Lenhador, abra os olhos! A raposa vai comer seu filho. Quando ela sentir fome vai devorar seu filho!
Um dia, o lenhador, exausto do trabalho e cansado desses comentários, chegou à casa e viu a raposa sorrindo como sempre, com a boca totalmente ensangüentada. O lenhador suou frio e, sem pensar duas vezes, deu uma machadada na cabeça da raposa. A raposinha morreu instantaneamente.
Desesperado, entrou correndo no quarto. Encontrou seu filho no berço, dormindo tranqüilamente, e, ao lado do berço, uma enorme cobra morta.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Use sua coragem sem medo

Coragem
A expressão máxima de medo, que uma pessoa pode manifestar, é a coragem.
A coragem acontece, quando o medo supera as próprias barreiras por ele impostas, extraindo forças, que fazem manifestá-lo com ideia de superação.
Logo, são a mesma coisa.
Difere a manifestação.
Apenas a transferência acontece de um ponto para outro.
Do ponto "Medo" para o ponto "Coragem".
Somente o Amor Perfeito exclui o medo.
O Amor Perfeito é a expiação.

Jorge Luiz Brandt

Ler é o melhor exercício para nossa mente!

É incrível como podemos realizar grandes coisas quando nos permitimos ir além daquilo que julgamos ser nossas limitações!

sábado, 2 de outubro de 2010

Como as coisas mudam

É verdade, tudo muda, tudo passa, mas a nossa visão...



E tudo mudou...
O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib,
Que virou silicone

A peruca virou aplique,
interlace,
megahair,
alongamento
A escova virou chapinha
'Problemas de moça' viraram TPM
Confete virou MMA
Crise de nervos virou estresse

A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou musse
Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...
Ping-Pong virou BabalooO
A-la-carte virou self-service
A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3

É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do 'não' não se tem medo
O break virou street

O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também
O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico

Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou Counter Strike
Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita ?
Gal virou fênix
Raul e Renato,Cássia e Cazuza,Lennon e Elvis,
Todos anjosAgora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
A maconha é calmante

O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz......
De tudo.
Inclusive de notar essas diferenças.

(Luiz Fernando Veríssimo)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Leia...Vai te fazer bem...

A ESCOLA DOS BICHOS

Rosana Rizzuti

Conta-se que vários bichos decidiram fundar uma escola. Para isso reuniram-se e começaram a escolher as disciplinas.

O Pássaro insistiu para que houvesse aulas de
vôo. O Esquilo achou que a subida perpendicular em árvores era fundamental. E o Coelho queria de qualquer jeito que a corrida fosse incluída.

E assim foi feito, incluíram tudo, mas...
cometeram um grande erro. Insistiram para que todos os bichos praticassem todos os cursos oferecidos.

O Coelho foi magnífico na corrida, ninguém corria como ele. Mas queriam ensiná-lo a voar.
Colocaram-no numa árvore e disseram: "Voa,
Coelho". Ele saltou lá de cima e "pluft"...
coitadinho! Quebrou as pernas. O Coelho não
aprendeu a voar e acabou sem poder correr também.

O Pássaro voava como nenhum outro, mas o
obrigaram a cavar buracos como uma topeira.
Quebrou o bico e as asas, e depois não conseguia voar tão bem, e nem mais cavar buracos.

SABE DE UMA COISA?

Todos nós somos diferentes uns dos outros e cada um tem uma ou mais qualidades próprias dadas por DEUS.

Não podemos exigir ou forçar para que as
outras pessoas sejam parecidas conosco ou tenham nossas qualidades.

Se assim agirmos, acabaremos fazendo com que elas sofram, e no final, elas poderão não ser o que queríamos que fossem e ainda pior, elas poderão não mais fazer o que faziam bem feito.

RESPEITAR AS DIFERENÇAS É AMAR AS PESSOAS COMO ELAS SÃO.

(http://www.sotextos.com/a_escola_dos_bichos.htm)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.


A trama de Lewis Carrol cria universo ficcional caótico que vai sendo conhecido em altíssima velocidade narrativa. Nada real, coisa alguma de realidades. Não deixa o leitor estabelecer relações cognitivas e emocionais no encontro com o texto. O impensado é o desafio a vencer.
O País das Maravilhas desliga linguagem de contexto usual e convida ao estranhamento do mundo. Obra de arte, não trata só do nonsense infantil, pois que carrega ordenação lógica singular.
Carroll finaliza revelando em que se assenta o seu país:
- Ah, eu tive um sonho tão esquisito! ? diz Alice.
O autor faz das aventuras encontros fenomenológicos. Cada episódio guarda níveis de apreensão diversos. A narrativa convoca a capacidade de reordenar as significações. Os encontros de Alice conduzem a pensar a própria linguagem de modo que se torne linguagem primeira redefinindo os próprios limites do mundo.
Infância, jogo e linguagem são os marcos essenciais do mundo poético de Carroll.
Nenhum suficiente em si para que se compreenda o mundo.
Alice não é puro jogo com os significantes.
No quinto capítulo, Conselhos de uma Lagarta, filosofia profunda aparece como ingênuo diálogo infantil.
?Quem é você??.
Está posta a própria existência em questão.
Tantas transformações sofridas e encontros no mínimo inusitados na toca do coelho, longe da família, da escola, das atividades e círculos sociais próximos, a resposta poderá ser errada, porque requer de Alice retomar a própria essência. Tarefa colossal ante as circunstâncias do País das Maravilhas.
O desassossego se instala; Carrol questiona a existência antes da autodefinição.
Dúvida antes do Verbo
A lagarta será borboleta. Espelho da metamorfose.
Escapa a Alice a razão de não poder identificar-se.
- Bom, quem sabe a sua maneira de sentir talvez seja diferente... ensaia Alice ainda na tentativa de explicar-se.
- Você! - exclamou desdenhosamente a Lagarta. ? E quem é você?
- Acho que a senhora deveria me dizer primeiro quem é.
- Por quê?
A nova pergunta desconcerta, confronta sem desvelar-se.
Carrol desarticula o mundo instituído. Retoma respostas socialmente aceitas, esvaziadas de significação e lhes dá outro lugar. Só o olhar primeiro, um novo olhar, se permite maravilhar.

terça-feira, 23 de março de 2010

Miniconto

Miniconto, ou microconto, ou nanoconto, é uma espécie de conto muito pequeno, produção esta que tem sido associada ao minimalismo. Embora a teoria literária ainda não reconheça o miniconto como um gênero literário à parte, fica evidente que as características do que chamamos de miniconto são diferentes das de um "conto pequeno". No miniconto muito mais importante que mostrar é sugerir, deixando ao leitor a tarefa de "preencher" as elipses narrativas e entender a história por trás da história escrita.

O guatemalteco Augusto Monterroso é apontado como autor do mais famoso miniconto, escrito com apenas trinta e sete letras:

Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.

Assim como o estadunidense Ernest Hemingway é autor de outro famoso miniconto. Com apenas vinte e seis letras, mas por trás das quais há toda uma história de tragédia familiar:

Vende-se: sapatos de bebê, sem uso.

O número de letras é importante mas não rígido, normalmente sendo atribuído pelos autores ou organizadores de determinada antologia, e naturalmente divulgados na mesma. Marcelino Freire publicou em 2004 a obra Os cem menores contos do século, em que desafiou cem escritores a produzir contos com no máximo 50 letras, por exemplo.
(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Um Conto curto: Papel Amassado

Quando criança, era impulsivo e reagia à menor provocação. Depois, me sentia envergonhado e me esforçava por consolar a quem tinha magoado. Um dia, meu professor me viu pedindo desculpas depois de uma explosão de raiva, me entregou uma folha de papel lisa e disse:
- Amasse essa folha!
Obedeci e fiz com ela uma bolinha.
- Agora - ele voltou a dizer - deixe-a como estava antes.
Claro que não pude deixá-la como antes. Por mais que tentasse, o papel ficava cheio de dobras. O professor disse:
- O coração das pessoas é como esse papel. A impressão que deixamos neles é tão difícil de apagar como esses amassados.
Assim aprendi a ser mais compreensivo e mais paciente. Quando sinto vontade de estourar, lembro deste papel amassado.
A impressão que deixamos nas pessoas é impossível de apagar.

Instante, Beto Canales

No exato momento em que colocou o pé na faixa branca sobre o asfalto quente e negro, ouviu o estampido e lembrou uma brincadeira que fazia quando criança, que basicamente consistia em fazer barulhos. Quem emitisse o som mais estranho que os outros da turma reconhecessem, seria o vencedor. As regras não eram rígidas e, por vezes, mudavam durante o próprio concurso. Tinha cerca de dez anos e esse seria o campeonato do final da temporada, pouco antes das férias, imperdível, portanto. Fez algo como um sapo engasgado em dia de chuva e venceu com folga o principal concorrente, que imitava um pedaço de fígado caindo no chão, que ninguém - pudera! - imaginou o que fosse. Ficou feliz e preparou-se para a segunda parte, imitando uma tradicional sirene de ambulância. Venceu também. A imitação foi perfeita, deixando sem chances a lambreta de corrida. A vitória encheu-o de orgulho, como no primeiro namoro, alguns anos depois, com uma menina linda, loira, de olhos claros com uma faísca permanentemente acesa, que o fizera apaixonar-se brutalmente, fizera-o emagrecer e tremer, depois de beijá-la no quintal de casa. Aproximaram-se assim, naturalmente, e os lábios encontraram-se ainda secos e pálidos, permanecendo unidos até ficarem úmidos e vermelhos como sangue vivo. Saiu quieto, caminhando de costas, sem tirar os olhos da faísca e com as pernas trêmulas foi para casa escrever. E conheceu a poesia, sua própria poesia. Passava noites insones, nada natural na sua idade, tentando expressar o que estava sentindo. Travava uma luta árdua com as palavras e normalmente não vencia. O amor era tão grande que parecia não haver palavras suficientes para expressá-lo, pensava sentir algo que ainda não existia, portanto, literalmente indescritível. Isso o levou a conhecer a poesia de outros e viu que não era bem assim. Recordou que aos vinte anos já possuía uma ampla biblioteca. O amor da adolescência ficara no passado e nesta época nutria outro amor: livros. E novamente era consumido, dessa vez por grandes autores. As noites tornaram-se curtas. Alimentava sua fome com muita literatura, arte, psicologia e principalmente filosofia. Lembrou-se da primeira aula, nervoso diante dos alunos quietos e surpresos frente a um professor jovem de roupas simples, talvez até demais, óculos tortos na face mal barbeada e cabelos confusos. Escreveu a palavra "filosofia" no quadro negro e disse que se ao final do ano um só aluno concordasse com sua idéia de que todo governo, de qualquer nação, deveria ter um filósofo no primeiro escalão, sua vida de professor estaria recompensada. Então lembrou-se da política, que trouxera bons amigos e alguns desafetos, dos intermináveis discursos que fazia, das conversas polemizadas em bares junto a um copo sempre vazio, das idéias mirabolantes que defendia com argumentos e teorias feitas na hora, protegidas com gritos e batidas de punhos na mesa. Isso faz com que lembre outra paixão, também com faísca nos olhos azuis, sentada no outro lado da mesma mesa, somente esperando o amadurecimento, enfim, chegar. Lembrou o começo do namoro, as afinidades, o isolamento em que ficaram por alguns meses, tempos de planos e sonhos, tempos de união, de conversas intermináveis sobre qualquer coisa, desde a importância da cibernética para o desenvolvimento da humanidade até qual o ponto ideal de cozimento do brócolis, a luta diária por espaço e qualidade de vida, o aconchego em noites frias na cama e, claro, o casamento. O terno simples e negro, pesado, o vestido branco e leve. Lembrou-se de cada detalhe, dos amigos reunidos festejando, felizes e risonhos, ao contrário do nascimento do filho, poucos meses depois, quando sofrera muito com os riscos do parto. Chega a ouvir novamente o grito livre e esganiçado do menino, que cessou diante da sua voz branda. Lembrou o primeiro sorriso da criança, quando chorou vertiginosamente de emoção, a boca abrindo-se lentamente e emitindo um som de graça, os braços agitando-se, as primeiras palavras e passos, os tombos e os machucados, a vermelhidão dos joelhos ralados, os abraços e beijos, a primeira ida à escola, as brincadeiras inocentes, as conversas longas e saudáveis que tinham seguidamente. O que o levou a acreditar que tinha algo a mostrar, a ensinar além do magistério, além da sala de aula, e que talvez tivesse chegado a hora de escrever seu livro, realizando o sonho que nutria desde a adolescência. Lembrou-se das novas noites insones, das pesquisas, do apoio da esposa e do filho, de todo o conhecimento que adquirira e tentava transmitir, das teorias que então compunha demoradamente, das mudanças em praticamente tudo o que pensava, da evolução como homem, como pensador, de seus textos, da dificuldade em colocá-los dentro de uma ordem razoável e lembrou-se do dia de ontem, quando finalmente recebeu uma ligação da editora convidando-o para assinar o contrato de publicação do livro e da comemoração com a família, da "olhos de faísca" orgulhosa do marido, do filho encarando-o como um super-heroi sem músculos, dos amigos felizes com o sucesso, e dele mesmo, sentindo-se completo, realizado. Lembrou-se de alguns minutos atrás quando saiu de casa com beijos em cada bochecha para ir à editora, do homenzinho verde permitindo-o ir em frente, de olhar para o chão e ver a faixa branca sobre o asfalto quente e negro, e não lembrou mais nada e nem ouviu mais o estampido. A bala perdida dilacerou seu cérebro, sua vida. Rasgou seu legado. O vermelho escondeu a faixa branca sobre o negro.

Uma visita inesperada

Estava eu indo para minha casa após mais um dia de trabalho, era sexta-feira e como de costume fui a um barzinho com os outros advogados e pessoal do escritório. Eu ia encontrar minha noiva, mas ela me ligou de última hora desmarcando, dizendo que estava numa cidadezinha vizinha pelo trabalho, e passaria a noite lá porque não tinha como voltar, achei estranho ela não ter comentado que iria pra lá, mas tudo bem, decidi ir pra casa descansar. Mas no caminho me bateu uma sensação de que eu estava sendo vigiado, sabe aquela sensação de que tem alguém te olhando, que está atrás de você te acompanhando, você olha e não vê nada nem ninguém? Era isso que eu estava sentindo, e reparei que essa sensação estava me acompanhando o dia todo, mas nem me preocupei, “É besteira de minha cabeça, cansada do trabalho da semana!” então liguei o rádio para distrair a cabeça e parar de pensar naquela sensação estranha. Mas a sensação não passa, e estranhamente meu CD parou de tocar, e mudou pra uma estação de rádio. Achei estranho, pois meu rádio não tinha problema nenhum, e o mais estranho era que o rádio estava noticiando coisas ocorridas há um ano. Então mudei a estação e em toda estação que parei, estava tocando músicas de mais ou menos um ano atrás também, parecia que meu rádio estava sintonizado com uma freqüência vida do passado, vinda do ano anterior. Deixei assim e fui curtindo, quando começa a tocar uma música mais animada, e sinto como se tivesse alguém se mexendo no banco de trás do carro, como se estivesse dançando, e vi um vulto pelo espelhinho do carro, me assustei, olhando pra trás, mas não vi nada. Não tinha ninguém ali, apenas eu e a música já bastante tocada, pois fez sucesso essa música entre os jovens. Mas o carro parecia balançar, continuava com aquela sensação de que tinha alguém ali. Logo cheguei em casa, morava sozinho em uma casa, consideravelmente grande e confortável. E pelos acontecimentos dessa noite, esse conforto seria útil para descansar. Então fui tomar um longo banho, e quando estou terminando ouço o rádio ligar na sala, me assustei, mas pensei que fosse minha noiva que conseguiu voltar e veio me fazer uma surpresa. Me enrolei na toalha e desci para vê-la, mas quando chego na sala não vejo ninguém ali, e aquela mesma sensação de que tinha alguém ali, se mexendo, como se estivesse dançando com a música. Procurei a casa inteira, chamei e ninguém respondeu, então desliguei o rádio, pensando que pudesse ser alguma função que eu tinha ativado se saber. Mas assim que o desliguei, ouvi uma batida na mesa atrás de mim, como se alguém tivesse dado um soco na mesa, e um belo soco, o barulho foi alto e forte, um soco de raiva. Virei-me assustado, mas não tinha nada nem ninguém ali, eu estava sozinho na casa.“Pronto, estou tendo alucinações agora, preciso mesmo descansar.” Então subi pro quarto e fui dormir. Mas alguns minutos após eu ter deitado, escutei uns barulhos como se estivessem arrastando alguma coisa pelo corredor de casa, que levava ao quarto, me assustei e fui olha o que era, encostei o ouvido na porta, e sentia que, o que quer que seja, estava se aproximando do quarto, mas o barulho parou ao chegar próximo à porta. Quando desencostei o ouvido da porta para abri-la, ouvi uma batida enorme na porta, quase arrancando-a do lugar, quase cai sentado com o susto, já estava pensando em ligar pra polícia, deveria ter alguém na casa, e foi quando comecei a ouvir gritos abafados e gemidos na sala, abri a porta lentamente pra ver o que acontecia, mas não vi nada, e o barulho persistia, gemidos de dor, gritinhos abafados de sofrimento. Entrei pro quarto e me deitei, “Isso é alucinação, eu estou muito cansado, é isso, vou dormir e tudo passará”. Mas esses barulhos continuaram por horas, quando pararam, mas a pausa durou apenas alguns minutos, logo ouvi novamente o barulho de arrastar, mas logo depois ouvi um grito aterrador, um grito de dor, ódio e angústia, tudo misturado, um que me fez arrepiar da cabeça aos pés, e nesse momento olhei para o relógio, eram 2h da manhã, e junto com o grito, comecei a sentir um cheiro horrível de algo queimando, parecia carne queimando, mas não era bife ou carne de churrasco, era um cheiro horrível de sebo, de carne, de cabelo, tudo misturado, um odor que me causou ânsia de vomito. Os barulhos logo pararam, mas o odor permaneceu na casa a noite toda, mal dormi, apenas cochilava e logo acordava assustado. Pela manhã me levantei, estava tudo calmo, nenhum barulho na casa, nenhum odor estranho nada, tomei um banho e fui tomar café, foi quando minha noiva me ligou reclamando que eu não tinha ido encontrá-la, ela disse que não tinha me ligado coisa nenhuma, e que na verdade tentou me ligar a noite toda, mas eu não atendia. Achei estranho e disse que passaria na casa dela a tarde. Então algo no jornal quase me faz cair de costas, fiquei parado olhando a notícia que dizia. “Hoje faz um ano da morte de Juliana, um crime bárbaro, onde essa jovem foi arrastada pelos cabelos em um canavial, violentada e jogada pra ser queimada viva, ao que se sabe, foi exatamente as 2h da manhã quando ela foi jogada no fogo que queimava a cana para a colheita no dia seguinte, e apesar de machucada ela estava viva e consciente. E seus assassinos conseguiram pena mínima, pois seu advogado havia conseguido desmerecer os testemunhos dos cortadores de cana que testemunharam e tentaram salvar a garota do fogo.”Esse advogado era eu.
Texto de Cacau’s Weblog.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O que é literatura?

Quem não conhece a vida rural ou a vaca, fala que o leite vem da padaria ou do supermercado. Assim acontece com a literatura. Alguém poderá responder que literatura é aquilo que se estuda na escola, que ela esteja restrito ao mundo escolar.
Há outra deturpação. A pessoa resolve escrever para ficar famosa, e acha que a literatura é o caminho. Na verdade, a pessoa escreve (ou pinta, ou esculpe, ou...) porque sente necessidade de extravasar, quer se doar ao outro.
A literatura, antes de ser estudo, foi vida, criação de uma pessoa, é a simulação da vida. Toda pessoa devia ter uma arte preferida para se expressar ou fruir, como se fosse um hobby, porque nela expressa a sua alma.
Algumas pessoas escolhem a música, outras a pintura, o cinema. E há quem goste de escrever, fazer contos ou poema, novelas ou romances, sem objetivo prático, apenas para ter prazer, com toda gratuidade possível num sistema de mercado. Esses fazem literatura.
Que ela seja objeto de estudo nas universidades e nas escolas é uma conseqüência inevitável, mas não deve ser o objetivo primeiro de quem a faz.
Completa-se aqui com a definição com Afrânio Coutinho:
“A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade. Passa, então, a viver outra vida, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade de onde proveio. Os fatos que lhe deram às vezes origem perderam a realidade primitiva e adquiriram outra, graças à imaginação do artista. São agora fatos de outra natureza, diferentes dos fatos naturais objetivados pela ciência ou pela história ou pelo social.
O artista literário cria ou recria um mundo de verdades que não são mensuráveis pelos mesmos padrões das verdades factuais. Os fatos que manipula não têm comparação com os da realidade concreta. São as verdades humanas, gerais, que traduzem antes um sentimento de experiência, uma compreensão e um julgamento das coisas humanas, um sentido da vida, e que fornecem um retrato vivo e insinuante da vida, o qual sugere antes que esgota o quadro.
A Literatura é, assim, a vida, parte da vida, não se admitindo possa haver conflito entre uma e outra. Através das obras literárias, tomamos contato com a vida, nas suas verdades eternas, comuns a todos os homens e lugares, porque são as verdades da mesma condição humana.”
*Hélio Consolaro é professor de Literatura, coordenador deste site, cronista da Folha da Região e presidente da Academia Araçatubense de Letras.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Crônica.

A crônica é uma forma textual no estilo de narração que tem por base fatos que acontecem em nosso cotidiano. Por este motivo, é uma leitura agradável, pois o leitor interage com os acontecimentos e por muitas vezes se identifica com as ações tomadas pelas personagens.

Você já deve ter lido algumas crônicas, pois estão presentes em jornais, revistas e livros. Além do mais, é uma leitura que nos envolve, uma vez que utiliza a primeira pessoa e aproxima o autor de quem lê. Como se estivessem em uma conversa informal, o cronista tende a dialogar sobre fatos até mesmo íntimos com o leitor.

O texto é curto e de linguagem simples, o que o torna ainda mais próximo de todo tipo de leitor e de praticamente todas as faixas etárias. A sátira, a ironia, o uso da linguagem coloquial demonstrada na fala das personagens, a exposição dos sentimentos e a reflexão sobre o que se passa estão presentes nas crônicas.

Como exposto acima, há vários motivos que levam os leitores a gostar das crônicas, mas e se você fosse escrever uma, o que seria necessário? Vejamos de forma esquematizada as características da crônica:

• Narração curta;

• Descreve fatos da vida cotidiana;

• Pode ter caráter humorístico, crítico, satírico e/ou irônico;

• Possui personagens comuns;

• Segue um tempo cronológico determinado;

• Uso da oralidade na escrita e do coloquialismo na fala das personagens;

• Linguagem simples.

Portanto, se você não gosta ou sente dificuldades de ler, a crônica é uma dica interessante, pois possui todos os requisitos necessários para tornar a leitura um hábito agradável!

Alguns cronistas (veteranos e mais recentes) são: Fernando Sabino, Rubem Braga, Luis Fernando Veríssimo, Carlos Heitor Cony, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Ernesto Baggio, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Max Gehringer, Moacyr Scliar, Pedro Bial, Arnaldo Jabor, dentre outros.
Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola